Vaca com feridas em pastagem no interior do Brasil

O que é requeima em bovinos: causas, impactos e como prevenir

Guia de Doenças | 14 de julho de 2026

A requeima é uma das condições que mais preocupam produtores de gado, especialmente durante o período de desmame dos bezerros. Além de comprometer o bem-estar do rebanho, a requeima está diretamente ligada a fatores mais amplos da saúde bovina, como intoxicações por plantas e fungos, lesões hepáticas, condições ambientais das pastagens e falhas de manejo sanitário. Entender essas conexões é essencial para identificar o problema logo no início e evitar prejuízos maiores na propriedade.

Neste post, você vai aprender o que é a requeima em bovinos, suas principais causas, os sinais clínicos que indicam o problema, como tratar os animais afetados e, principalmente, como preveni-la de forma eficaz no seu rebanho.

Requeima em bovinos (fotossensibilização)

A requeima causa sensibilidade extrema da pele à luz solar, com queimaduras e lesões. Ocorre por fotossensibilização, associada à ingestão de plantas tóxicas, como a braquiária, ou a problemas hepáticos que impedem o fígado de metabolizar substâncias fotossensíveis. Bezerros no desmame são os mais vulneráveis e os sinais incluem crostas, feridas e rugas na pele, inchaço na face, apatia, coceira intensa, lacrimejamento, edema na barbela, icterícia e desidratação.

Causas da requeima no rebanho

Vaca com lesões na pele em campo árido

Entenda quais são as principais causas da requeima no rebanho:

  • Agentes infecciosos (bactérias, vírus, fungos e protozoários) causam brucelose, tuberculose, mastite, diarreias, IBR, leptospirose e raiva;
  • Parasitas internos e externos (vermes, carrapatos, bernes, moscas) provocam anemia, fraqueza, lesões de pele e tristeza parasitária.
  • Deficiências nutricionais, como falta de cobre, cobalto e selênio, reduzem a imunidade e favorecem doenças metabólicas.
  • Intoxicações: plantas como erva-de-rato (a mais letal para bovinos no Brasil), samambaia, timbó, maria-mole, cambará, cicuta e comigo-ninguém-pode, além de fungos produtores de micotoxinas (aflatoxinas, fumonisinas, ocratoxinas) em grãos mal armazenados, e ainda chumbo e agrotóxicos.

Fatores de risco no manejo

A introdução de animais sem quarentena ou testagem é uma das maiores fontes de disseminação de doenças. Instalações sujas, superlotação, falta de biosseguridade e mistura de animais de origens diferentes favorecem infecções respiratórias e diarreias. Estresse térmico, transporte, desmame e castração deprimem a imunidade, e o contato com rebanhos vizinhos ou animais silvestres pode transmitir leptospirose, raiva e paratuberculose.

Condições ambientais e manejo de pastagens

As gramíneas tropicais crescem melhor entre 30°C e 40°C e são sensíveis a geadas; a água é o fator mais determinante da produtividade forrageira, e o excesso ou déficit hídrico prejudica o crescimento. A luminosidade favorece a fotossíntese e a digestibilidade, enquanto solos degradados reduzem o rendimento.

No período chuvoso (outubro a março, no Brasil Central), é ideal plantar e recuperar pastagens; na seca, recorre-se a pastagens diferidas e suplementação estratégica. O início das chuvas é a melhor janela para formação de novas áreas.

Lesões hepáticas e predisposição do animal

O fígado dos bovinos está sujeito a diversas patologias, como abscessos (frequentemente ligados a dietas mal balanceadas), fasciolose (causada pelo parasita Fasciola hepatica, comum em áreas alagadiças), esteatose hepática (associada a distúrbios pós-parto e sobrepeso), telangiectasia (principal causa de condenação do órgão em frigoríficos), além de cirrose e hepatite tóxica. Como o órgão é vital para o metabolismo de nutrientes, qualquer comprometimento nessa região afeta diretamente a conversão alimentar em bovinos, prejudicando o ganho de peso e a eficiência produtiva do lote.

A predisposição a esses problemas varia conforme fatores ambientais (como a presença de plantas tóxicas e fungos nas pastagens), genéticos (visto que os bovinos são mais sensíveis que os ovinos a alcaloides pirrolizidínicos) e nutricionais, já que dietas pobres em proteína prejudicam drasticamente a capacidade de detoxificação hepática do animal.

Sinais clínicos e diagnóstico

Alertas comportamentais e físicos incluem apatia, isolamento, febre, perda de apetite e peso, respiração ofegante, dificuldade de locomoção, pelagem opaca e corrimentos. Lesões de pele comuns são crostas (dermatofitose), inflamação com secreção (dermatofilose) e prurido intenso (sarna). Nos olhos, destacam-se lacrimejamento e vermelhidão (ceratoconjuntivite infecciosa, ou pinkeye), opacidade da córnea, fotofobia e olhar fixo, que pode indicar desidratação ou problemas neurológicos.

O diagnóstico combina exame clínico e anamnese, testes laboratoriais (sorologia, PCR, exames de sangue e fezes), testes de campo (CMT para mastite subclínica, exames coproparasitológicos) e necropsia em casos de morte. O diagnóstico precoce depende de observação diária, registros detalhados com identificação individual dos animais, calendário de vacinação atualizado, tecnologias de monitoramento (sensores de atividade e temperatura) e parceria constante com o médico-veterinário.

Idade, raça e pelagem

Bezerros, com imunidade em desenvolvimento, são mais suscetíveis a diarreias e pneumonia, e têm temperatura corporal mais alta (38,5°C a 40,5°C). Adultos enfrentam mais doenças metabólicas, mastite e problemas reprodutivos, com temperatura entre 38°C e 39°C.

Zebuínos, como o Nelore, são mais resistentes ao calor e a carrapatos; taurinos, como Holandesa e Angus, são mais sensíveis ao calor e a ectoparasitas, e raças leiteiras de alta produção têm maior predisposição a doenças metabólicas. A pelagem não causa doenças diretamente, mas pelagens escuras aumentam o estresse térmico, e animais de pelagem clara facilitam a identificação visual de lesões e icterícia.

Impactos na produtividade e na fazenda

Vaca pastando em campo verde na fazenda.

Fatores climáticos (como seca, temperaturas extremas e geadas), de manejo (compactação do solo e uso indiscriminado de agroquímicos) e biológicos afetam diretamente os resultados da fazenda. Entre os riscos biológicos, pragas e doenças podem reduzir a produção em até 40% e favorecer o desenvolvimento de fungos nos grãos e na pastagem, exigindo um rigoroso controle de intoxicações por micotoxinas para proteger o rebanho.

As consequências da falta desse cuidado integrado vão desde a queda de rentabilidade e o aumento de custos operacionais até a contaminação ambiental e sérios riscos à saúde dos trabalhadores rurais.

Prevenção e boas práticas

Confira as formas mais comuns de prevenção da requeima em bovinos.

  • Vacinação regular e controle estratégico de parasitas;
  • Quarentena para novos animais e biosseguridade na propriedade;
  • Mapeamento e erradicação de plantas tóxicas;
  • Armazenamento correto de grãos, em local seco e ventilado;
  • Acompanhamento veterinário e agronômico contínuo;
  • Adoção de tecnologias como agricultura de precisão e manejo integrado de pragas.

Investir em prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz para reduzir custos, evitar perdas e garantir a longevidade e a sustentabilidade do rebanho.

Agora que você já sabe como proteger seu gado da requeima e de outras doenças de manejo, um novo desafio surge: qual o melhor caminho para tratar e recuperar os animais afetados? A medicina tradicional alopática e a terapia homeopática possuem abordagens muito diferentes quando o assunto é sanidade e produtividade animal.

Para entender qual dessas soluções se adapta melhor à realidade e ao bolso da sua fazenda, confira nosso artigo exclusivo sobre as diferenças entre alopatia e homeopatia em medicamentos animais e faça a escolha certa para o seu negócio.

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